José Martiniano

José Martiniano

 

Entrevista concedida ao Jornal Novos Tempos (nº 40), de abril-junho/2009

 

Trabalhador ativo da Campanha do Quilo desde 1971, o Sr. José Martiniano Netto é exemplo de dedicação e disciplina. Ele recebeu a equipe de “Novos Tempos” em sua residência e contou um pouco da sua experiência na tarefa. Confira:

 

Como era a Campanha do Quilo no reinício?

Nos reuníamos em novembro de 1971 e passávamos pelas casas aos domingos recolhendo as doações, que já tinham sido feitas nos sacos de papel da Campanha entregues durante a semana. Só tínhamos tempo de entregar esses saquinhos durante a noite, depois do trabalho. E como esse saquinho enrugava, havia quem passasse a ferro para eles serem entregues até a quinta-feira nas casas.

No início, ainda existia preconceito com a Campanha. E nós tínhamos muita assistência espiritual para compreendermos e sermos tolerantes. Desde 1971, passamos nas casas de muita gente que não entendia a Campanha. Hoje, graças a Deus ela é conhecida na cidade toda.

 

O Sr. se prepara antes de chamar em uma casa? 

Tenho por norma que, quando vou bater em uma porta, tenho que estar preparado. Nós temos que estar preparados. Nós não sabemos quem vai nos atender e também não sabemos a situação que a pessoa está passando. Então, faço uma vibração, para que a Campanha seja bem recebida. Se for mal recebido, que tenha tolerância. Quando a pessoa atende dou um “bom dia” com grande alegria! Faz bem para quem dá e para quem recebe.

 

O que motiva o Sr. a participar por todo esse tempo da Campanha?

“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Isso é o que me motiva. Quando não posso ir, sinto uma falta danada da Campanha do Quilo! O dia que visto minha camisa sinto muita alegria, satisfação. Como costuma dizer o Sr. Athanoel, o trabalho da Campanha é pregar o Evangelho ao vivo. E é esta a minha motivação.

 

O Sr. pode contar alguma situação marcante em todos esses anos?

Tem uma situação que me deixou muito satisfeito. Chamei em uma casa e uma senhora veio me atender com toda gentileza. Ela fez a doação e lhe entreguei a mensagem. E ela me disse: “Olha, eu dou valor a essas mensagens que o senhor não faz ideia. Guardo todas em uma caixinha. Há uns dias eu estava em pé de guerra com meu marido. Fui até a caixinha, peguei uma mensagem... e ela tocou no fundo da minha alma. Foi como um refrigério ao meu coração”. Está aí o valor da Campanha do Quilo, o valor das mensagens.

 

Que mensagem o Sr. pode dar aos trabalhadores da Campanha e leitores do jornal?

A mensagem que eu posso deixar é que todos procurem fazer esse trabalho com muito amor, dignidade, desprendimento, se colocando no lugar no necessitado. A Campanha do Quilo ajuda a muitos. Mas acredito que os beneficiados somos nós mesmos. Emmanuel disse que Deus lê no livro fechado do coração humano a nossa fé e as nossas intenções. Então quando a gente sai de casa revestido da mais pura das intenções, tudo corre bem conosco. Como disse Jerônimo Mendonça Ribeiro, quando esteve aqui em Lavras, “a paciência é a ciência da paz”. Quando o trabalhador sair de casa, deve revestir-se de muito amor, paciência, pois tudo se resolve com paz.

 

 


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